Artes no funcionamento e liderança de organizações –

Em alguns estudos de Gestão e negócios, existem interessantes análises sobre o impacto da criatividade que é praticada nas artes sobre o funcionamento e a liderança das organizações. Um dos casos pioneiros foi o estudo da interação entre artes e negócios na Dinamarca por Lotte Darsø, publicado no livro “Artful Creation: Learning Tales of Arts-in-business” em 20041.

A autora apresenta casos de práticas artísticas em ambientes empresariais que podem funcionar como estimuladores de oportunidades de aprendizagem e de mudanças nas organizações. Esta prática das artes em negócios é proposta de duas formas diferentes: as artes aplicadas como um instrumento para, por exemplo, treinos de equipa ou de comunicação, desenvolvimento de liderança, solução de problemas e processos de inovação; e as artes integradas no negócio como um processo estratégico de transformação, envolvendo desenvolvimento pessoal e liderança, cultura e identidade, bem como relações com clientes e marketing. A autora procura então perceber qual é o papel da arte nos negócios ou qual poderia ser esse papel, ou seja, procura responder à questão orientadora da investigação: “O que as Empresas podem aprender com as Artes?” (What can Business learn from the Arts?”)2. De acordo com este estudo e outras análises e prácticas posteriores, todos temos a ganhar com esta interacção entre artes e negócios, que é muito útil para a compreensão dos comportamentos que podem melhorar o uso da imaginação, da criatividade e da inovação na liderança e na tomada de decisões nas organizações.

Tem havido uma cada vez maior preocupação com a interacção entre os negócios e a criatividade utilizada nas artes e uma procura por novos conceitos que permitam que as ideias e práticas das artes sejam levadas para as organizações e negócios, de forma a criar, por exemplo, mais artful management ou artful leadership. Como diz Darsø no final do seu livro já referido: “a sugestão do livro é que a produtividade do futuro é a criação artística /artful” (“the suggestion of the book is that the productivity of the future is artful creation”)3.

Apesar disto não ser o mesmo que levar os tópicos da “Criatividade no Mundo” para o dia-a-dia das organizações, que apresentamos em diversos outros posts, parece interessante levar artistas e casos de práticas artísticas para ambientes empresariais, o que pode estimular oportunidades de aprendizagem e mudança nas organizações. Para além disso, cada pessoa praticar uma arte é essencial para o bem-estar individual.

Mas parece-me que o mais importante para o mundo é criar formas de estar com todos, inclusive dentro das organizações como, por exemplo, fóruns de discussão e projetos sobre questões e assuntos que dão a todos a sensação de serem criativos e contribuir para as mudanças, em suas empresas e no mundo. Voltaremos a estes assuntos.

Filipe Novais, Porto, Europe.

Nota: Isto é parte de um Texto que escrevi e apresentei numa conferência de gestão e artes em 2018, intitulado “Creativity in the World and Leadership in Organizations” (22 pp). Se quiser ler o Texto posso enviá-lo por e-mail se entrar em contato comigo para filipe@insperatus.org

Image: Henry Moore, 1938, Recumbent Figure; Tate, London.

1. Darsø, Lotte, 2004. “Artful Creation: Learning Tales of Arts-in-business”. Ed. Samfundslitteratur, Frederiksberg, Denmark. Darsø was present at the conference “Art and Business – A Creative Alliance” in Serralves Foundation, Porto, 4 Nov.2004.

2. Based on Darsø, Lotte, 2004, op.cit.; pp.14-18.

3. In Darsø, Lotte, 2004, op.cit.; pp.181.

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