Joseph Beuys nasceu em 1921 na Alemanha e foi um dos mais importantes artistas do Séc.XX, tendo sido muito activo desde os anos 50 até ao seu falecimento em 1986. Ele aparece numa época, após as enormes atrocidades da segunda guerra mundial, em que muitos artistas passaram a ver como uma atitude socialmente irresponsável o comportamento habitual dos artistas de trabalharem solitariamente nos seus ateliers, enquanto havia tantas questões políticas reais em jogo. Uma das formas em que se manifestou esta consciência política foi a criada por Beuys, com as suas obras que pretendiam apreender o espírito do artista como uma força energética e catalisadora de mudança na sociedade.

Os seus suportes de trabalho foram muito diversificados, tendo variado dos tradicionais desenhos, pinturas e esculturas, até à process-oriented or time-based “action” art, na qual as suas performances sugeriam como a arte pode exercer a healing effect on both the artist and the audience1. A enorme importância de Beuys na arte da segunda metade do século é confirmada não só pelo impacto que teve na altura das suas exibições e acções, mas também pela enorme influência que teve em artistas de grande força criativa no activo como, por exemplo, o pintor Anselm Kiefer, a performer Marina Abramovic, o arquitecto Souto Moura do Porto, entre muitos outros.

A descoberta de Beuys, como o de qualquer outro grande artista tem de ser feita através do contacto pessoal com a obra do artista, neste caso muito vasta e em múltiplos suportes, e não através de comentários de terceiros ou opiniões de especialistas. Para quem gosta da sua arte e a desfruta, a obra de Beuys é grande arte porque nos impacta como indivíduos, porque tem um significado especial para cada um e efectivamente torna tudo diferente no nosso dia-a-dia, ajudando-nos a viver, a trabalhar e a estar no mundo. Quando assim acontece, a arte ajuda a mudar a vida quotidiana de cada ser humano e o mundo. Joseph Beuys acreditava nisso e na mudança da forma de pensar de cada indivíduo, pois a sua “escultura social” tinha uma postura que sustentava que, se aceitarmos que “todos somos artistas”, isso transformará a sociedade. Disse ele:

“We have to revolutionize human thought”, and “First of all revolutions takes place within man. When man is really a free, creative being who can produce something new and original, he can revolutionize time.”1

Beuys descrevia o processo criativo no mundo, ou seja, a maneira como moldamos e damos forma aos nossos pensamentos, às palavras e ao mundo em que vivemos, como uma “escultura social” num processo de criação e de mudança em que “todos somos os artistas”. Esta era a sua ideia de ampliar a noção de arte para a vida quotidiana.

Esta “escultura social” não era necessariamente uma obra de arte física, mas sim as acções conscientes dos indivíduos e grupos para libertarem a criatividade humana e reformarem as suas condições sociais, económicas e materiais. Beuys procurava acabar com as fronteiras das formas de arte tradicionais para poder incluir os pensamentos e as ações humanas, e dessa forma incluir preocupações sobre o mundo.

Para ver mais sobre Joseph Beuys, “o que é a arte?”, a “escultura social” e “todos somos artistas”, veja o nosso post “Joseph Beuys e a “Criatividade no Mundo””.

Do meu ponto de vista a obra de Beuys é essencial para entender o mundo, a criatividade e os limites e inter-relações em política, arte e economia, as atividades humanas fortemente associadas a esse mundo comum. O que acha sobre isso?

Filipe Novais, Porto, Europe.

1. Goldberg RoseLee, “Performance: live art, 1909 to present”, Ed.2001 (1st ed.1979); pp.96-97. Thames & Hudson Ltd, London.

Image – Joseph Beuys, Beuys at the New School, 1974; and “Joseph Beuys_ I Like America and America Likes Me”, Tate, London.

Nota: O trailer do filme “Joseph Beuys” abaixo é uma pequena introdução à figura do artista. Há muitos documentários e entrevistas na net sobre este grande artista, infelizmente a maioria em alemão e não legendados.

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