Joseph Beuys foi um artista que acentuou a grande importância daquilo a que chamamos “criatividade no mundo”, para pensar o futuro e as mudanças na esfera dos assuntos humanos. De acordo com a designação dada por Joseph Beuys, estar a pensar no mundo é realizar “escultura social”. E essa posição sustenta que, se aceitarmos que “todos somos artistas”, a criatividade transformará as sociedades em que vivemos. Tem de começar em cada ser humano, no seu pensamento, na expressão da sua liberdade, e assim cada um pode incorporar e levar para diante o impulso de mudança no mundo. E o último material neste sentido expandido da arte são as próprias sociedades, com os seus grupos e organizações que as formam e em que vivemos.

Quando estamos a pensar na esfera dos assuntos humanos, estamos no processo criativo, ou seja, estamos em acção no mundo. Ou, como dizia Beuys:

We have to create the world as a living sculpture”. “Every human being is completely based on his concepts, thoughts and freedom. This means that through the thought of man something totally new is introduced into the world. This designates thought as sculpture. It can only enter the world completely new, from a point of creation.”1

A “plástica social” tem então uma postura que sustenta que se todos os seres humanos forem artistas isso transformará as sociedades em que vivemos. Quando assim acontece, a arte ajuda a mudar a vida quotidiana de cada ser humano e o mundo. Joseph Beuys acreditava nisso e na mudança da forma de pensar de cada indivíduo, e disse ele:

We have to revolutionize human thought”, and “First of all revolutions takes place within man. When man is really a free, creative being who can produce something new and original, he can revolutionize time.”2

Beuys descrevia o processo criativo no mundo, ou seja, a maneira como moldamos e damos forma aos nossos pensamentos, às palavras e ao mundo em que vivemos, como uma “escultura social” num processo de criação e de mudança em que “todos somos os artistas”. Esta era a sua ideia de ampliar a noção de arte para a vida quotidiana. Mas, vejamos as palavras de Beuys numa conversa sobre “o que é a arte?”:

“My objects are to be seen as stimulants for the transformation of the idea of sculpture, or of art in general. They should provoke thoughts about what sculpture can be and how the concept of sculpting can be extended to the invisible materials used by everyone:

Thinking Forms – how we mould our thoughts or

Spoken Forms – how we shape our thoughts into words or

SOCIAL SCULPTURE – how we mould and shape the world in which we live:

    Sculpture as an evolutionary process; everyone an artist.

That is why the nature of my sculpture is not fixed and finished. Processes continue in most of them: chemical reactions, fermentations, colour changes, decay, drying up. Everything is in a state of change.”3

Para Beuys, “everyone is an artist” porque isso expressa a essência do ser humano, cada um ser a expressão da sua liberdade e, dessa forma, poder incorporar e levar para adiante o impulso de mudança no mundo. Cada indivíduo é um ser livre chamado a participar na transformação e remodelação das condições, pensamentos e estruturas que moldam e formam as nossas vidas e o mundo. Ou nas palavras de Beuys:

“Every human being is an artist called upon to engage in the shaping of their lives and the world around them, with the same kind of love and passion that artists have for bringing something that is new and has a coherence into being. Then one’s own lifework becomes an artwork.”4

E o ultimo material neste sentido expandido da arte é a própria sociedade, com os seus grupos e organizações que a formam e em que vivemos. O que significa que, na opinião de Beuys, a sociedade em geral pode ser vista como uma obra de arte, a “escultura social”, sobre a qual todos podemos criar e agir. Para mudar a sociedade para melhor, como ele tentava com os seus projetos sociais e políticos, tem de se criar novas formas e constantemente aperfeiçoar essa escultura que é um processo em constante mudança. E essa é uma tarefa que só pode ser realizada através do aproveitamento de todas as capacidades criativas de todos os indivíduos e não apenas aquelas de um grupo selecto de pessoas referidas habitualmente como artistas. “Everyone is an artist”.5

Eu estou de acordo com as ideias de Beuys associadas a “todos somos artistas”. Cada ser humano é totalmente baseado nos seus conceitos, pensamentos e liberdade. E temos que “revolucionar o pensamento humano” e “em primeiro lugar, as revoluções ocorrem dentro do homem. Quando o homem é realmente um ser livre e criativo, ele pode produzir algo novo e original, ele pode revolucionar o tempo em que vive”. Qual é a sua perspectiva sobre esta criatividade individual e plástica social?

Filipe Novais, Porto, Europe.

Nota: Isto é parte de um Texto que escrevi e apresentei numa conferência de gestão e artes em 2018, intitulado “Creativity in the World and Leadership in Organizations” (22 pp). Se quiser ler o Texto posso enviá-lo por e-mail se entrar em contato comigo para filipe@insperatus.org

Image: Joseph Beuys; 7000 Oak Trees, 1982; Tate, London.

1. Louwrien Wijers, Ed., 1996, “Art meets Science and Spirituality in a changing Economy”; Event based in an idea of Joseph Beuys with five panel dialogues, in Stedelijk Museum, Amsterdam in 1990; pp.11 and others. Academy Group Ltd, London.

2. Goldberg RoseLee, “Performance: live art, 1909 to present”, Ed.2001 (1st ed.1979); pp.96-97. Thames & Hudson Ltd, London.

3. Beuys, Joseph, and Harlan, Wolker, “What is Art? Conversation with Joseph Beuys”, 2004 (1st ed.1986 in Germany); pp.9. Edited with essays by Wolker Harlan. Clairview Books, Forest Row, UK.

4. In Beuys, 2004, op.cit.; pp.2.

5. For further information on ideas and works of Beuys see for example “The Multiples of Joseph Beuys” from the collection of the Pinakothek der Moderne, Munich; “I am a sender. I transmit”; Website: http://pinakothek-beuys-multiples.de/en

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