“Criatividade no Mundo” é a criatividade que existe quando cada ser humano está a criar, pensar e agir na esfera das relações humanas, que tem como condição a pluralidade, a presença simultânea de inúmeras perspectivas e aspectos em que esse mundo se apresenta e nos condiciona a todos.

A “criatividade no mundo” é o pensamento e a acção que acontecem em liberdade e pluralidade. A nossa questão essencial é de que formas podemos estimular essa criatividade dos indivíduos?

Esta “criatividade no mundo” é a que não tem objetivos fora de si mesma, nem é um meio para alcançar determinados fins. É a criatividade individual que existe quando cada ser humano está a criar no mundo. Nesta complexa teia de relações, que existe onde quer que os seres humanos vivam juntos, estão sempre a acontecer situações inesperadas e originais. A partir dessas situações surgem as criações humanas, que são pensamentos e obras artísticas, mas também o processo criativo individual que é essencial para lidar com problemas e casos inesperados. Dessa forma, pensamos que a “criatividade no mundo” deve ser abordada e levada em consideração na vida quotidiana, para que as pessoas possam imaginar e criar espaços comuns diferentes, com um futuro melhor e situações cheias de sentidos.

Através do conceito de “criatividade no mundo”, procuramos entender o processo criativo em situações da esfera dos assuntos humanos, que dizem respeito a todos, sem fronteiras, parâmetros ou preconceitos. Para realizar esses assuntos humanos para os quais não há nenhuma medida ou denominador comum que possa ser inventado, contamos com ideias e obras de grandes criativos como, por exemplo, da teórica política Hannah Arendt (como “The Human Condition”) e do artista Joseph Beuys (como “Our true capital is our creativity”), entre muitos outros criativos no mundo. Existem muitas situações que acontecem ou podem acontecer nas quais todos podemos ser mais criativos (à la Beuys), num mundo de pluralidade onde o inesperado predomina (à la Arendt).

Este é o quadro de reflexão para os posts e os debates sobre a criatividade, a nossa liberdade, o mundo e a sua pluralidade. A compreensão do lugar de cada um no mundo enquanto criativo é muito importante para tentar entender as relações entre o processo criativo e o que fazemos na nossa vida quotidiana. Com esta abordagem, esperamos ser capazes de mostrar a importância da “criatividade no mundo” para procurar caminhos para melhorar a vida de todos nas organizações e nas sociedades em que vivemos, onde todos podem também pensar e agir no mundo. A “criatividade no mundo” pode incentivar constantemente as pessoas a pensar e agir de maneira diferente sobre o que podem e o que não podem fazer e como o fazem.

Qual é a sua perspectiva sobre este assunto? Não acha, como as obras de Beuys aqui apresentadas podem sugerir, que a criatividade de todos e a pluralidade do mundo poderão estar a ser sufocadas?

Filipe Novais, Porto, Europe.

Nota: Isto é parte de um Texto que escrevi e apresentei numa conferência de gestão e artes em 2018, intitulado “Creativity in the World and Leadership in Organizations” (22 pp). Se quiser ler o Texto posso enviá-lo por e-mail se entrar em contato comigo para filipe@insperatus.org

Image: Joseph Beuys, “Plight”, 1958/1985, 43 rolls of felt, piano, black table, thermometer. And “Homogenous Infiltration for Grand Piano”, 1966. Georges Pompidou Center, Paris, France.

Deixe uma resposta